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sábado, 16 de fevereiro de 2013

R


Eu sei que, para você, eu já sou passado. Ou talvez nem isso, sendo você tão sem coração. (Não que eu veja isso em você como um defeito.) Eu criei planos para nós. Desde o tempo em que você fazia questão de deixar claro que não éramos nem seríamos nada. Mas isso mudou. Over night. Você mudou. Para melhor. Você mostrou-se alguém com coração. E meus planos cresceram. E você mudou tudo! Tudo que eu queria foi mudado, moldado para encaixar perfeitamente nas expectativas que eu tinha para nosso futuro. Futuro com o qual ainda sonho[, sabia?]. E expectativas que você nutriu com um "eu te amo" que até hoje levo em mim. Ou você não lembra? Daquele segundo, quando fomos infinitos. Daquele segundo em que sentimos e choramos juntos. E transcendemos aquela via congestionada em horário de grande movimentação. Éramos só nós e minhas lágrimas e sua decepção. E tudo, a partir dali, girou em torno daquele momento. Cada vez mais me sentia um com você. Abri mão de todas - todas! - minhas percepções ideológicas para estar com você. Para poder sorrir de nossas diferenças, tão gritantes. Existia um abismo entre nós que era facilmente transposto quando eu segurava sua mão. Hoje já não sei se esse abismo que hoje existe entre nós seja possível de ser atravessado. Nos perdemos. Cada um pr'um lado. Com suas ideologias e suas particulares buscas por catarse. Você, pelo visto, encontra-a - apesar de nem saber o que ela significa - com mais frequência que eu, suponho. Talvez não. Mas aposto que você não sofre, como eu sofro. Nem sente como eu sinto. Não parece ao menos. E, mais uma vez, não é justo.

10dezembro2012

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

7

Tinha apenas sete anos e já se via diante da social obrigação de gritar sua masculinidade aos quatro ventos. Apesar disso, ao contrário do que ouvia, não se achava menos homem que nenhum dos seus amigos que se encaixavam em todos os esteriótipos que a sociedade ditava sobre "ser homem". Ele não jogava bola, não jogava videogame, não gostava de se sujar brincando na rua... Não tinha amigos. Pelo mesmo motivo por conta do qual, segundo o que ditava a cartilha social, ele deveria sentir-se menos homem. Ninguém queria ser amigo dele. E, com o tempo, nem ele queria ser amigo de ninguém. Voltou-se ao seu engrandecimento intelectual – sem nem saber o que estava fazendo, na verdade – e esqueceu-se de ser feliz.

domingo, 18 de novembro de 2012

Not Fair


Com a cabeça encostada em seu ombro, de olhos fechados, fingindo dormir, eu podia sentir seu braço, sua respiração, seus movimentos. Esses últimos denunciavam que ele beijava outro. Ele tinha consciência de que o outro preferiria estar a beijar-me. Assim como ele sabia que eu queria beijá-lo. Depois de tudo que eu fizera para conquistá-lo, ele beijara o outro, que, depois de tudo que fizera para conquistar-me, ainda não desistira de mim. No final, ninguém estava feliz. Eu estava sem ele. O outro estava sem mim. Ele, apesar de estar com o outro, sabia que não poderia estar com ele por muito tempo; que, para o outro, o que importava era estar comigo. Assim a quadrilha se desenrolou. Num último abraço, ao som de uma música inconvenientemente adequada para o momento, algo ficara claro: os três lados do triângulo jamais se encontrariam.

domingo, 24 de junho de 2012

China

Estava feito. Fora consumado. Depois de tanto sofrer por tantas paixões proibidas, finalmente provara do errado, do sujo, do impuro. Estava maculado e, todavia, feliz. Consciência limpa. Procurara isso. E necessitava dessa poluição. Talvez estivesse preparando-se por todo esse tempo, desde a primeira das tão estranhas paixões, para o irremediável e, agora, concreto fim. Que nada mais era que um começo. (Se ele assim quisesse, é claro.)

Desabafo

"Mas eu não devia ser assim. Eu tenho apenas 17 anos, moro sozinho, vivo minha própria vida, sou muito inteligente (humildade eu não tenho), não sou tão feio. Eu deveria ser feliz. Como os garotos que moram comigo. Eles, sim, são felizes. Com suas vidas medíocres, pensamentos maculados de pré-conceitos e julgamentos, e sua insana busca por prazer sexual em garotas que tratam, pelo menos pelas costas, como objetos fúteis e descartáveis. Com uma pitadinha leve de inveja, trato esses com muito sarcasmo e comentários ácidos. Faz-me bem, oras, por pra fora o que me atormenta tanto durante as longas vinte e quatro horas de um dia. Parece que não têm nada de útil no que eles chamam de cérebro e saem por aí, proclamando suas blasfêmias à humanidade, como se estivessem certos. Pior é saber que eles estão respaldados por essa nossa ridícula sociedade."

(eu revolts em 2010)

sábado, 5 de maio de 2012

Passado


Textos e fotografias do passado.
Pessoas e sentimentos do passado.
Do passado.

domingo, 18 de março de 2012

Scumbag Brain

De volta, a velha sensação. Greve no lado direito do cérebro. Criatividade, desaparecida, não te deixando terminar uma simples frase. Rabiscos manchando o caderno sobre as palavras escritas, por não fazerem algum sentido juntas. Inspirações mil e a massacrante incapacidade de transformá-las em palavras. Sofrimentos que, dessa vez, não poderão ser escoados pela mais fácil via para o poeta.  "Obrigado, cérebro, por deixar-me na mão. Mais uma vez. Obrigado.", dizia ele.

sábado, 3 de março de 2012

Self Hate

Minha dependência de você só aumenta. Agressiva. Destrutiva. E minhas atitudes continuam gritando o contrário. Continuam afastando-me de você. E a insana combinação de culpa, inutilidade e infelicidade continua a me levar a cometer mais erros. Erros e erros. Acertos nunca. Ou quase nunca. Os poucos são facilmente esquecidos. Não vêm ao caso. Se ao menos você fosse o culpado disso tudo. Se ao menos eu pudesse me afastar de você e tentar ser um pouco mais feliz. Mas, não! O sentimento não é novo. Foi sempre assim. Sempre eu, frio, agredindo todos ao meu redor. Sempre eu afastando todos que tentam se aproximar do meu mundo. Eu sou o grande culpado. De tudo. Mais ninguém.

Previsão


"Senti-me na obrigação de despedir-me de todos. Todos que me interessavam, ao menos. Não era justo, com os que me rodeavam, ver-me sumir assim. Assim como não estavam sendo justos comigo o mundo, as pessoas, os sentimentos. Eu mesmo não estava sendo. Afundava-me, dia após dia, em sofrimento, arrependimento e angústia. E culpa. Muita culpa. Nada me fazia feliz mais. Nem discutir filosofia com meus amigos, nem ouvir música, nem dançar... Nem mesmo falar com minha mãe, que era uma das coisas que mais me acalmavam e faziam feliz. Não adiantava mais. Dezessete anos e o mundo já havia se mostrado comigo tão hostil, sujo, desumano. 'Desumano', decerto, é a palavra. Ou talvez o mundo fosse normal e eu fora hostil, sujo, desumano. O que será que estão falando agora? "Menos um"? "Fraco, não aguentou..."? Provavelmente. E, mais uma vez, virar-me-ia o mundo as costas. Que estupidez acreditar que, de fato, algo mudaria... Será que fugi do meu sofrimento criando um novo para os outros? Talvez não. Quem sofreria por tão pouco? Aparentemente ninguém. O mundo está melhor, agora. Vocês conseguiram!"

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Consequência


Era um garotinho, de treze ou quatorze anos. Um garoto que sofria. Muito. Por muitos motivos. Cansado de tanto sofrimento, decidiu que não sofreria mais. Jurou para si mesmo. Não sofreria mais! Não sentiria mais! Com o tempo, tornou-se inatingível, inabalável, inquebrável. Ou, pelo menos, pensou ser. Não encarara, entretanto, nenhum de seus problemas. Tratou de escondê-los, em algum lugar de seu íntimo, como poeira embaixo de móveis. E como mágica, de todas sequelas dos males de outrora, livrou-se. Inocente, pensou estar mesmo tudo bem. Mal sabia ele que, com o passar dos dias, meses, anos, ventos viriam, tirando parte da poeira de baixo dos móveis, fazendo-o sofrer mais e mais. Notou que fizera tudo errado. Começou, assim, a tentar encarar os problemas. O costume, contudo, levava-o, muitas vezes, a deles fugir. Algum tempo depois, achando que tudo se resolveria, o pobre garoto também notou que, por ter abrido mão de seus sentimentos, não sabia mais amar.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Misfit Portrait

‎Marcelo. De Sobrenome Rodrigues. Atendo pelos dois nomes e, como os herdei integralmente de meu pai, por Junior também. Recifense de “sôtaque” maleável, quase um metro e setenta de altura e pouco mais de sessenta quilos de inconstância e incerteza. Olhos castanhos, prestes a atingir a tão almejada maioridade.

Tenho pontos de vista que costumeiramente vão de encontro ao da grande maioria (a qual costumo ver como dono de estupidez inteligentemente manipulada). Nutro uma relação de vital dependência com manifestações artísticas – em especial, com música e dança (apesar de não saber cantar ou dançar). Sou grande amante da “gramática do professor e do aluno e do mulato sabido”, como diria Oswald de Andrade. Falo inglês com certa fluência, amo a Matemática e detesto História. Considero sushi e amigos uma combinação perfeita.

Acredito que o Universo é belamente regido pela Terceira Lei de Newton, sou adepto da Teoria do Caos e não acredito em deuses. Não gosto que mexam em minhas comida, bebida e roupas e, principalmente, em meu computador. Não suporto estar errado, não ter dinheiro e decepcionar quem amo. Tendo severamente a completas arrogância e subversão.

Evito ao máximo agir movido por preconceitos (por mais que os veja como inerentes à sociedade). Carrego imenso desprezo pela sociedade e seus protocolos, por regulamentos, pela mídia, por mentes fechadas, pelo fundamentalismo religioso, pelas religiões e pelo Estado. Sou militante de minha verdade (como, penso, cada um deve ser da sua). Acredito piamente no poder e na imortalidade das ideias.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Felicidade.

Tudo começou quando eu percebi que finais felizes não eram para caras como eu...