sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Consequência


Era um garotinho, de treze ou quatorze anos. Um garoto que sofria. Muito. Por muitos motivos. Cansado de tanto sofrimento, decidiu que não sofreria mais. Jurou para si mesmo. Não sofreria mais! Não sentiria mais! Com o tempo, tornou-se inatingível, inabalável, inquebrável. Ou, pelo menos, pensou ser. Não encarara, entretanto, nenhum de seus problemas. Tratou de escondê-los, em algum lugar de seu íntimo, como poeira embaixo de móveis. E como mágica, de todas sequelas dos males de outrora, livrou-se. Inocente, pensou estar mesmo tudo bem. Mal sabia ele que, com o passar dos dias, meses, anos, ventos viriam, tirando parte da poeira de baixo dos móveis, fazendo-o sofrer mais e mais. Notou que fizera tudo errado. Começou, assim, a tentar encarar os problemas. O costume, contudo, levava-o, muitas vezes, a deles fugir. Algum tempo depois, achando que tudo se resolveria, o pobre garoto também notou que, por ter abrido mão de seus sentimentos, não sabia mais amar.

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