De volta, a velha sensação. Greve no lado direito do cérebro. Criatividade, desaparecida, não te deixando terminar uma simples frase. Rabiscos manchando o caderno sobre as palavras escritas, por não fazerem algum sentido juntas. Inspirações mil e a massacrante incapacidade de transformá-las em palavras. Sofrimentos que, dessa vez, não poderão ser escoados pela mais fácil via para o poeta. "Obrigado, cérebro, por deixar-me na mão. Mais uma vez. Obrigado.", dizia ele.
domingo, 18 de março de 2012
sábado, 3 de março de 2012
Imagem
No forçado convívio diário, notável, também, era a felicidade! Ah!, a felicidade, estampada nos tantos rostinhos dos tão aparentemente homogêneos alunos da querida escola. A infelicidade não tinha vez - mal vistos eram todos que quebravam o clima de sorrisos e risadas que pairava naquela atmosfera manipuladora. Não tinha vez, também, a heterogeneidade: cortavam-nos os cabelos, davam-nos roupinhas iguais, e, principalmente, exigiam que nos igualássemos, em gostos, atividades e opiniões. Claro que o destaque existia, para alguns, por pura imagem - uniforme bem passado, calçados brilhando e, por que não?, uma aparência harmônica. Amigos populares também ajudavam, e muito, na ascensão social. Sem dúvidas, qualquer destaque "negativo", proposital ou não, era massacrado.
Self Hate
Minha dependência de você só aumenta. Agressiva. Destrutiva. E minhas atitudes continuam gritando o contrário. Continuam afastando-me de você. E a insana combinação de culpa, inutilidade e infelicidade continua a me levar a cometer mais erros. Erros e erros. Acertos nunca. Ou quase nunca. Os poucos são facilmente esquecidos. Não vêm ao caso. Se ao menos você fosse o culpado disso tudo. Se ao menos eu pudesse me afastar de você e tentar ser um pouco mais feliz. Mas, não! O sentimento não é novo. Foi sempre assim. Sempre eu, frio, agredindo todos ao meu redor. Sempre eu afastando todos que tentam se aproximar do meu mundo. Eu sou o grande culpado. De tudo. Mais ninguém.
Previsão
"Senti-me na obrigação de despedir-me de todos. Todos que me interessavam, ao menos. Não era justo, com os que me rodeavam, ver-me sumir assim. Assim como não estavam sendo justos comigo o mundo, as pessoas, os sentimentos. Eu mesmo não estava sendo. Afundava-me, dia após dia, em sofrimento, arrependimento e angústia. E culpa. Muita culpa. Nada me fazia feliz mais. Nem discutir filosofia com meus amigos, nem ouvir música, nem dançar... Nem mesmo falar com minha mãe, que era uma das coisas que mais me acalmavam e faziam feliz. Não adiantava mais. Dezessete anos e o mundo já havia se mostrado comigo tão hostil, sujo, desumano. 'Desumano', decerto, é a palavra. Ou talvez o mundo fosse normal e eu fora hostil, sujo, desumano. O que será que estão falando agora? "Menos um"? "Fraco, não aguentou..."? Provavelmente. E, mais uma vez, virar-me-ia o mundo as costas. Que estupidez acreditar que, de fato, algo mudaria... Será que fugi do meu sofrimento criando um novo para os outros? Talvez não. Quem sofreria por tão pouco? Aparentemente ninguém. O mundo está melhor, agora. Vocês conseguiram!"
O começo do fim
Após meses e meses de concurso, treinamento e preparação, chegávamos à Escola, como costumavam dizer-nos, "trazendo nossos sonhos e esperanças". Horas depois, todavia, estabelecia-se em todos nós a decepção. Valores eram confundidos e o que era para ser, para muitos, um sonho tornou-se um dos maiores pesadelos de uma vida. A coerção pessoal e familiar, entretanto, não nos deixava fugir da dor que, diziam-nos constantemente, seria passageira (a glória, contudo, seria eterna).
E era! O deleite era, sim, eterno. O orgulho de pais e amigos, a noção de estar entre os melhores do país, a responsabilidade que, ainda tão jovens e inexperientes, nos era tão seriamente imposta... Constantes motivos para grande satisfação, não fosse o tempo que perdiam expondo-nos a situações que ocupariam nossas mentes a ponto de não sentirmos nada: nem saudades nem orgulho nem vontades.
E era! O deleite era, sim, eterno. O orgulho de pais e amigos, a noção de estar entre os melhores do país, a responsabilidade que, ainda tão jovens e inexperientes, nos era tão seriamente imposta... Constantes motivos para grande satisfação, não fosse o tempo que perdiam expondo-nos a situações que ocupariam nossas mentes a ponto de não sentirmos nada: nem saudades nem orgulho nem vontades.
Assinar:
Postagens (Atom)