Com a cabeça encostada em seu
ombro, de olhos fechados, fingindo dormir, eu podia sentir seu braço, sua
respiração, seus movimentos. Esses últimos denunciavam que ele beijava outro. Ele
tinha consciência de que o outro preferiria estar a beijar-me. Assim como ele
sabia que eu queria beijá-lo. Depois de tudo que eu fizera para conquistá-lo,
ele beijara o outro, que, depois de tudo que fizera para conquistar-me, ainda
não desistira de mim. No final, ninguém estava feliz. Eu estava sem ele. O
outro estava sem mim. Ele, apesar de estar com o outro, sabia que não poderia estar
com ele por muito tempo; que, para o outro, o que importava era estar comigo. Assim
a quadrilha se desenrolou. Num último abraço, ao som de uma música inconvenientemente adequada para o momento, algo ficara claro: os três lados do triângulo jamais se
encontrariam.
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