Eu sei que, para você, eu já sou passado. Ou talvez nem isso, sendo você tão sem coração. (Não que eu veja isso em você como um defeito.) Eu criei planos para nós. Desde o tempo em que você fazia questão de deixar claro que não éramos nem seríamos nada. Mas isso mudou. Over night. Você mudou. Para melhor. Você mostrou-se alguém com coração. E meus planos cresceram. E você mudou tudo! Tudo que eu queria foi mudado, moldado para encaixar perfeitamente nas expectativas que eu tinha para nosso futuro. Futuro com o qual ainda sonho[, sabia?]. E expectativas que você nutriu com um "eu te amo" que até hoje levo em mim. Ou você não lembra? Daquele segundo, quando fomos infinitos. Daquele segundo em que sentimos e choramos juntos. E transcendemos aquela via congestionada em horário de grande movimentação. Éramos só nós e minhas lágrimas e sua decepção. E tudo, a partir dali, girou em torno daquele momento. Cada vez mais me sentia um com você. Abri mão de todas - todas! - minhas percepções ideológicas para estar com você. Para poder sorrir de nossas diferenças, tão gritantes. Existia um abismo entre nós que era facilmente transposto quando eu segurava sua mão. Hoje já não sei se esse abismo que hoje existe entre nós seja possível de ser atravessado. Nos perdemos. Cada um pr'um lado. Com suas ideologias e suas particulares buscas por catarse. Você, pelo visto, encontra-a - apesar de nem saber o que ela significa - com mais frequência que eu, suponho. Talvez não. Mas aposto que você não sofre, como eu sofro. Nem sente como eu sinto. Não parece ao menos. E, mais uma vez, não é justo.
10dezembro2012
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